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Cortiça

por Ricardo Braz Frade, em 31.03.13
Cortiça em descanso

Está para Portugal como o queijo para os franceses. O primeiro descortiçamento de um sobreiro é feito depois de um amadurecimento de duas ou três dezenas de anos, sempre por altura da entrada até ao pico do Verão. A partir da primeira recolha, esperam-se aproximadamente nove anos para fazer nova extracção. É comum encontrarmos, em viagens pelo Alentejo, florestas de sobreiros (ou montados de sobro) cujos troncos, depois de descascados, apresentam um número pintado. Este número indica o último digito do ano em que foi feito o corte, para que saibamos, nove anos depois, quando o devemos fazer novamente.

O sobreiro chega a ser centenário, podendo contar com duzentos ou trezentos anos de vida, e uma das suas imagens de marca é a regeneração da sua casca, a cortiça, uma espécie de fénix da flora. É este seu poder de renovação que ganha as simpatias de muitos ecologistas que vêem no sobreiro uma forma sustentável de retirar proveito da natureza e também um combate ao aquecimento global, já que fixam o dióxido de carbono, e até mesmo um travão à desertificação de certos terrenos sujeitos a temperaturas mais elevadas.

A remoção da cortiça do sobreiro tem vários tipos camadas associadas a ela, sendo a mais nova, a da chamada cortiça virgem, a de menor qualidade, e as seguintes - a segunda chamada secundeira e a terceira chamada amadia - as que são tidas como superiores, sendo que a partir da terceira camada começamos a ter a cortiça que está pronta para determinados produtos a que imediatamente a associamos, como é o caso das rolhas de garrafa de vinho. Um sobreiro jovem, portanto, aquando da sua primeira remoção, dá apenas cortiça virgem, ou seja, de menor valor, e, da mesma forma, os sobreiros mais velhos são responsáveis pelas pranchas de cortiça mais valiosas. Depois de retiradas, as pranchas são colocadas em descanso por um período superior a seis meses, onde se dá o seu processo de secagem.

Esta acção de descortiçamento desenvolveu formas de arte rural, que têm nos homens que a fazem, os tiradores, verdadeiros artistas. Uma delas, a machadada, consiste na remoção de cortiça com golpes de uma precisão milimétrica. Note-se que esta machadada tem de ser equilibrada, já que um corte demasiado profundo pode ir ao tronco nu do sobreiro, matando-o, e um corte demasiado superficial retira valor comercial à prancha que daí resulta.

Apesar de ser produzida em diversos países do sul da Europa e do norte de África - os tidos como países mediterrâneos -, é Portugal o país que maior produção tem, sendo responsável por mais de metade da produção mundial da matéria-prima.

Além de servir para as tais rolhas, sobretudo como isoladoras do vinho, têm também outros destinos em produtos finais como revestimento de solos, objectos decorativos, calçado ou como isoladora térmica. 

Faz tão parte da cultura popular que são várias as lendas que usam tal árvore como personagem, como é o caso de uma lenda de Proença-a-Nova que conta a ideia do seu povo contruir uma torre de cortiços que os fizesse chegar até à Lua.

Actualmente, e devido à escolha de alguns mercados por rolhas sintéticas em substituição das de cortiça, põe-se em causa a sua sobrevivência, já que a existência de montados em Portugal existe porque, até hoje, houve mercado - nacional e internacional - para eles. 

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publicado às 19:02

Gaspacho

por Ricardo Braz Frade, em 17.07.12

Sopa muito consumida no Verão por se comer fria ou gelada e que personifica bem a tradição da dieta mediterrânea. É típica da região das regiões sulistas ibéricas (em Portugal: Alentejo e Algarve) - embora outros países também a comam, como em alguns da américa central. A sua origem é antiga e há quem a atribua aos árabes que se instalaram por cá, deixando-a como herança aos actuais andaluzes. Outra teoria, que refuta a anterior, diz que a história do gaspacho começou mesmo na Andaluzia já reconquistada, visto que o tomate, essencial à sua composição, só chegou à Europa depois dos Árabes terem abandonado a península hispânica.É feita à base de tomate, transformando-o numa espécie de puré, juntando-se depois pequenos pedaços hortículas como o pepino, o pimento ou a cebola (em Espanha a diferença reside sobretudo aqui, onde os ingredientes são triturados e não apenas cortados) aos quais se adiciona pão da região. No final, tempera-se com sal, azeite, orégãos e vinagre, e ainda se podem juntar cubos de gelo para a arrefecer mais ainda.A sua simplicidade faz com que a vejam como sopa de campo ou, sendo um pouco mais pejorativo, de pobre.

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publicado às 16:28

Canto de Saias

por Ricardo Braz Frade, em 23.04.12

Cantadas normalmente por altura das Festas do Povo em Campo Maior, o Canto de Saias ouve-se ao som de pandeiretas e outros instrumentos de percussão adornados com guizos, normalmente entoado por mulheres, acompanhado de uma dança em valsa onde as saias que lhes dão o nome são rodopiadas. Inicialmente, diz-se, apenas se usava o pandeiro, e foi a proximidade da raia espanhola que trouxe as latinhas da pandeireta a mudar-lhe o tom. As letras vão buscar inspiração às Festas do Povo, ao amor, ao maldizer e à vida de trabalho.

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publicado às 18:42

Festas do Povo

por Ricardo Braz Frade, em 23.04.12

Festa realizada em Agosto ou Setembro na vila Alentejana de Campo Maior onde cada rua pensa numa temática com que a deve ornamentar - o tema é mantido em segredo até ao início da festa, que se dá na noite de enramação. As flores, de todos as cores e feitios, são o centro das atenções - são desenhadas em papel e cartão e usadas depois para enfeitar as ruelas. É uma festa centenária e de acordo com o nome, só se realizam quando o povo quer, já que é este que a prepara com dedicação e paciência que dá à ornamentação das ruas. Há, em alternativa, quem a chame Festa das Flores. Remontam às festas de São João Baptista.Para além da decoração única que transformam Campo Maior num verdadeiro jardim, as festas contam ainda com um fenómeno musical único. As "saias" ou o "canto de saias".

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publicado às 18:25


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